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Distanciamento social: como realizar e minimizar seu impacto entre os idosos

Captura de Tela 2020-05-15 às 15.39.07No segundo webinar realizado pela SBGG-SP em parceria com a Danone, a terapeuta ocupacional Carla da Silva Santana Castro, docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e presidente da Sociedade Brasileira de Gerontecnologia, abordou os desafios do distanciamento social para os idosos. A mediação foi de Tiago Alexandre, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP.
A especialista abriu a apresentação lembrando que a falta de um prazo definido para o fim do distanciamento social é um dos principais desafios para a população idosa. “Temos que considerar que isolamento já é uma preocupação em relação aos idosos, pois vários estudos indicam que nossos contatos sociais diminuem conforme envelhecemos. Por isso, 50% dos indivíduos com mais de 60 anos correm risco de isolamento na vida diária. Então é uma situação que, infelizmente, já é realidade para muitos”, disse.
Ela frisa que o distanciamento social tende a afetar mais os idosos cujos contatos sociais estejam fora de casa, ou seja, entre aqueles que frequentam centros-dia e serviços de day care, não têm familiares e amigos próximos, ou que dependem de serviços voluntários ou de assistência social.
Os efeitos do distanciamento podem ser muitos na rotina. “Precisamos nos atentar porque isso pode atingir as atividades da vida diária, impactar nos cuidados pessoais, qualidade do sono e descanso e até no humor”, analisa. Alimentação também pode ser prejudicada. “Muitos idosos não cozinham mais e fazem suas refeições fora de casa. E agora? Mesmo os que cozinham e até têm ajuda de vizinhos e familiares para fazer as compras de mercado – certamente a variedade dos alimentos vai diminuir sem o idoso ir fazer suas próprias compras, de acordo com a demanda dele”, diz.
Todos esses aspectos – muito além de mantimentos e medicamentos – devem ser levados em conta pelos profissionais da geriatria e gerontologia, familiares de idosos e, por que não, pela sociedade em geral. “E para tomar providências e prestar assistência a essa população, é preciso ouvir os idosos. Saber como se sentem e de que precisam considerando as incertezas em relação ao futuro e ao que será o novo normal”, orienta.
Para tomar as necessárias ações urgentes para mitigar as consequências mentais e físicas para a saúde dos idosos nos tempos atuais, é preciso conhecer o contexto de vida de cada – mora sozinho? Em ILPI? Cuida de outro idoso? Essas são algumas questões que devem ser colocadas para especificar as necessidades de cada indivíduo, segundo a especialista.
A partir disso, é possível oferecer auxílio não apenas para cuidados de saúde, como doenças crônicas, mas também para atividades cotidianas, o que inclui ajudar o idoso a usar a tecnologia. “Em uma ILPI, que não recebe mais visitas, o uso de um celular, tablet ou computador para falar com os familiares e amigos é essencial. E talvez os cuidadores tenham que investir um tempo na orientação do uso da tecnologia ou mesmo ter de disponibilizar os próprios recursos, como o celular”, diz. Além disso, recursos de telemedicina podem ser usados para consultas, mas também para terapias breves online.
Se não houver habilidade ou interesse no uso de tecnologia, o telefone fixo continua sendo uma boa opção, conforme sugestão de Carla. “E aí importará a qualidade das conversas. Elas devem mais frequentes, significativas e menos protocolares. Se o idoso mencionou uma planta, um trabalho manual ou uma foto, peça para descrever, mandar foto. Valorize a conversa”, orienta.
A especialista ainda conclamou os profissionais de saúde para que já comecem a pensar na transição dessa fase de distanciamento. “Como será depois? Os idosos poderão automaticamente voltar às ruas? Em quais condições? Que tipo de atendimento deverá receber o idoso que se curou da covid-19? Nós já devemos começar a pensar nisso, ainda que não saibamos quando isso tudo acaba”, disse.