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Revisão sobre o controle glicêmico em idosos com diabetes tipo 2

Santa-Casa-de-SP

Dr. Marcelo Valente

Professor do setor de Geriatria da Santa Casa de São Paulo

Professor do setor de Geriatria da Faculdade de Medicina do ABC

Coordenador do Departamento de Diabetes no Idoso da Sociedade Brasileira de Diabetes

Dra. Juliana Rocha Faleiros do Nascimento

Especialização em Geriatria na Santa Casa de São Paulo

 
 
Tema:  Revisão sobre o controle glicêmico em idosos com diabetes tipo 2
Estudo: A review of glycemic control in older adults with type 2 diabetes
Fonte: JAMA.2016;315(10):1034-1045.
 
Importância: Há substancial incerteza sobre o controle ideal dos níveis glicêmicos em idosos com diabetes tipo 2.
Observações: Quatro grandes ensaios clínicos randomizados, variando em tamanho de 1.791 a 11.440 pacientes, fornecem a maioria das evidências utilizadas para orientar o tratamento do diabetes. A maioria dos ensaios clínicos comparando controle glicêmico intensivo versus controle glicêmico convencional excluiu idosos acima de 80 anos, utilizou desfechos substitutos para avaliar complicações microvasculares e forneceu dados limitados sobre quais subgrupos se beneficiariam ou teriam prejuízo com determinadas terapias. Os dados disponíveis dos ensaios clínicos randomizados sugerem que o controle glicêmico intensivo não reduziu eventos macrovasculares em idosos por pelo menos 10 anos. Além disso, controle glicêmico intensivo não levou a melhora de complicações microvasculares nos pacientes por pelo menos 8 anos. Os dados dos ensaios clínicos sugerem consistentemente que o controle glicêmico intensivo aumenta em 1,5 a 3 vezes o risco de hipoglicemia grave. Baseado nesses dados e em estudos observacionais, para a maioria dos indivíduos acima de 65 anos, os prejuízos associados a uma hemoglobina glicada alvo menor que 7,5% ou maior que 9,0% provavelmente superam os benefícios. Contudo, a meta ideal depende de fatores relacionados ao paciente, medicamentos utilizados para alcançar a meta, expectativa de vida, e preferências do paciente sobre o tratamento. Se apenas medicamentos com baixa carga de estresse e baixo risco de hipoglicemia (como a metformina) são necessários, uma meta menor de hemoglobina glicada pode ser apropriada. Caso o paciente tenha preferência por evitar injeções ou monitorizações de glicemia capilar frequentes, uma meta de hemoglobina glicada maior que evite a necessidade de insulina pode ser apropriada.
Conclusões e Relevância: Faltam evidências de boa qualidade sobre o tratamento glicêmico no idosos. As melhores decisões necessitam ser tomadas em conjunto com os pacientes, incorporando a probabilidade de benefícios e malefícios e as preferências do paciente sobre o tratamento e a sua carga de estresse. Para a maioria dos idosos, uma meta de hemoglobina glicada entre 7,5% e 9,0% maximizará os benefícios e minimizará os malefícios.
Comentários: O artigo discute sobre as melhores evidências disponíveis para o tratamento do diabetes tipo 2 no idoso. Na discussão, um algoritmo sobre decisão terapêutica em 4 passos é proposto pelos autores (Figura). Em primeiro lugar, recomenda-se estimar os possíveis benefícios de um controle glicêmico intensivo. Na etapa seguinte estima-se os possíveis malefícios de um controle glicêmico intensivo. A terceira etapa compreende a individualização da meta da hemoglobina glicada e a última etapa tem como objetivo reduzir a polifarmácia.
 
figura1