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A velhice vai ser a maior fase da vida

deniseCom o aumento da expectativa de vida, a população brasileira tem vivido mais anos na faixa etária que a classifica como idosa. Com a longevidade, também aumenta a busca por qualidade de vida para que esses anos a mais sejam desfrutados da melhor forma. Assim, cada vez mais faz sentido procurar novos desafios e experiências de vida, não só profissionais, como pessoais e familiares. A partir dessas e outras inquietações, Denise Mazzaferro, administradora de empresas e mestre em Gerontologia, e Renato Bernhoeft, consultor, ambos da Angatu IDH, consultoria em pós-carreira, escreveram o livro “Longevidade – Os desafios e as oportunidades de se reinventar”, recém-lançado pela Editora Évora. Na entrevista a seguir, Denise fala sobre a obra e as questões que envolvem o pós-carreira e o envelhecimento.
No livro, você e o Renato dizem que a obra se originou a partir de algumas inquietações. Quais foram elas?
Denise Mazzaferro – Renato e eu nos conhecemos em 2011, quando fui fazer mestrado em Gerontologia, após 17 anos de atuação no mundo corporativo. Procurei o Renato porque li um artigo dele no jornal com o título “quero ser enterrado com o uniforme da empresa”. E eu percebia essa questão entre os homens nas empresas – a da perda de identidade após a aposentadoria. Eu mesma muitas vezes ligava para algum lugar e me apresentava como “aqui é a Denise, da empresa tal”. Puxa, o nome da empresa não faz parte do meu! E o Renato já analisava essas questões sobre o pós-carreira e a aposentadoria como exclusão e perda de espaço social. Quando passamos a trabalhar juntos, essa dificuldade do aposentado em ter outra identidade e outro projeto como fonte de prazer sempre foi muito presente. Isso é um grande complicador, porque como viver a longevidade sem propósito de vida? Todas essas questões permeiam o livro.
Você acha que as próximas gerações terão menos essa sensação de que a vida não tem sentido sem o trabalho?
Denise Mazzaferro – Tenho um filho de 17 anos e observo como a geração dele tem como propósito de vida a busca por um mundo melhor. Isso já é diferente da minha geração, que cresceu pensando em arrumar um trabalho e desenvolver uma carreira para ganhar dinheiro. Somos diferentes geracionalmente, mas muitos não entendem a mudança e eu ainda vejo pais numa cobrança intensa na época do vestibular, como se o jovem que vai entrar na faculdade agora tivesse essa única chance na vida. Não é mais assim e, embora ainda não tenhamos essa mentalidade, com o aumento da expectativa de vida, há mais tempo para experimentar. Não é preciso terminar logo o estudo para entrar imaturo na carreira. É uma bobagem. A nova geração pode se preparar mais, porque vai viver mais e está sendo avisada disso desde cedo. Sua carreira vai ser longa, você pode se preparar melhor para isso. E esse preparo envolve buscar também seus propósitos de vida para chegar aos 70, 80 anos e não se deparar com a sensação de vazio na aposentadoria.
No livro, vocês abordam bastante a questão do pertencimento e em ter propósitos como objetivos para o envelhecimento. Fale um pouco mais sobre isso. 
Denise Mazzaferro –  O propósito tem a ver com o que faz sentido para você. Nesse caso, se faz sentido pra você ser avô, avó ou um empreendedor, isso te dará a sensação de pertencimento. Isso significa que você encontra sentido para a vida ali, é uma fonte de prazer e bem-estar. Hoje uma pessoa de 70 anos tem 20 anos pela frente, por isso ela precisa ter um projeto e um propósito para que esses anos a seguir façam sentido. Hoje os adultos estão sendo avisados que precisam cuidar da saúde e poupar dinheiro para viver melhor, porque certamente viverão mais e sem propósito não adianta ter saúde e dinheiro.  A velhice vai ser a maior fase da vida.
Até que ponto a questão social interfere no envelhecimento?
Denise Mazzaferro – A gente não foi educada para poupar. No Brasil, somos estimulados a consumir, mas isso também está mudando. A galera mais jovem não se importa mais em ter carro, em comprar apartamento, e essas questões relacionadas a um mundo mais sustentável vão mudar nossa cabeça. Hoje os jovens já têm educação financeira na escola, mas as atuais gerações na casa dos 40, 50 anos ainda terão problema financeiro na aposentadoria se não começarem a se planejar já.
O que podemos destacar de positivo nessa revolução da longevidade?
Denise Mazzaferro –  Na teoria da seleção natural, o Darwin fala que sobreviveriam os mais adaptados. Sem dúvida estamos vivendo mais porque o ser humano se adaptou às diversidades com inteligência, desenvolvendo tecnologia e ciência. Agora, falta usarmos essa inteligência e a criatividade para melhorar a qualidade de vida no sentido de encontrarmos e criarmos propósitos, termos longos anos na velhice, mas que eles façam sentido. Eu tenho certeza de que isso acontecerá.