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Cuidar até o fim

paliarO termo paliar tem sua origem no latim e significa proteger. “Paliar é fazer o bem e precisamos falar sobre isso o quanto antes, para todos nós que não temos uma doença terminal. Devemos conversar sobre isso antes do contexto da finitude extrema para reforçar a vida e provisionar o futuro”, explicou a geriatra e paliativista Ana Beatriz Di Tomasso, vice-presidente da SBGG-SP, em palestra sobre o tema no 1⁰ Simpri (Simpósio Paulista de Clínicas e Residenciais para Idosos).
A médica citou estudos internacionais que apontam como os cuidados paliativos ainda são desconhecidos por parte dos pacientes e seus familiares. Segundo uma das pesquisas, em Boston, nos Estados Unidos, apenas 18% das famílias com pacientes em fim de vida disseram terem sido orientadas pelo médico sobre o prognóstico da doença, embora 81,4% dos familiares desses pacientes soubessem das complicações clínicas do caso. “Os médicos não conversam sobre isso”, disse. Entre as famílias que se consideravam mais informadas, 96% acreditavam que o conforto dos pacientes deveria ser a prioridade no final da vida. “Pacientes com parentes cientes da gravidade de sua condição foram submetidos a menos intervenções nos últimos três meses antes da morte”, contou Ana Beatriz.
Para evitar sofrimentos e intervenções desnecessárias, conhecimento sobre doenças e seus sintomas é fundamental para os profissionais de saúde que lidam com pacientes em fim de vida.  “Devemos conhecer a fundo as doenças que fazem parte da nossa lida profissional para sabermos o que tem cura ou não, o que é sinal de finitude e em que fase está aquele paciente”, afirmou. Conhecendo sintomas e o curso da doença, é possível determinar o melhor tratamento sempre pensando no bem-estar do paciente e familiares. Como exemplo, a médica citou alguns sintomas que não precisam ser tratados no hospital, como a dispneia, que pode ser amenizada com suporte ventilatório não invasivo, medicações que diminuem a sensação de falta de ar e o cuidado com a hiper-hidratação para que o paciente não se sinta inchado.
Nos casos de demência, é preciso, segundo a profissional, conhecer a progressão da doença e informar aos familiares sobre complicações que indicam a aproximação do fim da vida. “As famílias têm dificuldade em entender que algumas coisas são irreversíveis e que não é falta de tratamento que as ocasiona, mas elas aparecem pouco antes dos pacientes falecerem”, explicou. Alguns desses sinais em pacientes com demência avançada são pneumonia, febre, problemas de deglutição e aspiração da comida e bebida, baixa imunidade, dispneia, dor, úlcera por pressão e agitação. “Sabendo disso, a equipe médica precisa orientar a família para que não sejam tomadas medidas drásticas sendo que o indivíduo não tem mais voz para decidir seu tratamento”.
Assim, os cuidados paliativos devem ser apresentados às famílias como um cuidado integral para aquele paciente. “É dessa maneira que poderemos propiciar alívio dos sintomas, afirmar a vida e considerar a morte um processo normal, oferecendo um sistema de suporte integral a esse paciente e sua família”.
 
Princípios dos cuidados paliativos:
 

  • alivio dos sintomas
  • afirmar a vida e considerar a morte um processo normal da vida
  • não acelerar nem adiar a morte
  • integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente
  • oferecer sistema de suporte para os familiares
  • oferecer abordagem multiprofissional e interdisciplinar – todos os profissionais devem ter a mesma importância e voz
  • melhorar a qualidade de vida do paciente
  • dizer da finitude apenas quando as outras estratégias de tratamento não são mais possíveis de mudar o curso da doença