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Eficácia do uso de estatinas para idosos

Medical form with words cholesterol HDL LDL.Um estudo publicado em maio no JAMA (Journal of the American Medical Association) sob o título Effect of Statin Treatment vs Usual Care on Primary Cardiovascular Prevention Among Older Adults critica o uso indiscriminado de estatinas para prevenção primária em adultos acima dos 75 anos.
A pesquisa foi feita com dois grupos com cerca de 1.400 idosos em cada e média de 147 de LDL. Todos acima dos 65 anos, hipertensos, porém sem doença cardiovascular aterosclerótica. Para um grupo, foi feita a indicação de uso de pravastatina e, para o outro, a princípio, o tratamento para baixar o colesterol ficaria por conta de indicação médica, porém sem o uso de estatinas. O acompanhamento aconteceu por oito anos. No sexto ano de acompanhamento, a média do LDL havia caído para cerca de 109 no grupo com estatina e 128,8 no grupo sem. No entanto, nesse mesmo ano, pouco mais de 16% do primeiro grupo já não estava mais tomando a medicação e cerca de 30% do outro grupo havia começado o uso.
Ao fim do estudo, os níveis de evento de doenças coronarianas não tiveram diferença significativa entre os grupos, tampouco em relação à idade.
A geriatra Amanda Santoro Bacchin, diretora da SBGG-SP e pesquisadora do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que, infelizmente, as estatinas têm sido amplamente usadas entre os idosos e, muitas vezes, de maneira equivocada.
A médica explica que a maneira correta para prescrição de estatinas é calcular o risco cardiovascular individual. “A partir desses escores de risco, obtemos a meta de LDL colesterol para aquele paciente e, só assim, optamos pela melhor estatina e dose”, explica. O que não foi feito pelo estudo publicado recentemente pela JAMA – cujo grupo controle usou a estatina de maneira indiscriminada para LDL com média de 147.
A geriatra diz que, assim, continua valendo o estudo Jupiter, de 2009, que incluiu pacientes idosos e comprovou que mesmo aqueles de risco baixo e intermediário se beneficiam do tratamento com estatinas.
Claro que as estatinas, salienta a médica, podem provocar riscos de efeitos colaterais e interação medicamentosa, principalmente em idosos, como acontece com qualquer medicação. “Mas o uso é extremamente seguro na população idosa e seu efeito mais temido, a rabdomiólise, é muito rara”, afirma. A fim de diminuir ainda mais o risco, o tratamento deve realizar a vigilância dos níveis de CPK, TGO, TGP, entre outros exames laboratoriais. “Assim, não há por que não prescrever estatinas para idosos como prevenção secundária e também primária, quando houver indicação, já que está demonstrada a diminuição não apenas de doenças cardíacas, mas também de AVC, tromboembolismo venoso e outras enfermidades”.