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GERP.17: Uma tarde com a comunidade

Foi com muita animação e movimento que teve início o GERP.17 – 10º Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia. Na quarta-feira, a programação foi toda do GERP Comunidade, voltada para os idosos da cidade de São Paulo.
A adesão da população foi grande. Cerca de 300 idosos compareceram ao Sesc Pinheiros para uma tarde de confraternização, dança, arte, reflexão e música. Seis ônibus da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer levaram idosos de diversas partes da capital para esse encontro. Eles foram recebidos pela equipe do Sesc e do CRI Norte (Centro de Referência do Idoso da Zona Norte), que os apoiaram durante toda a tarde.
DSC_0897Para começar, os idosos foram convidados a formar uma grande roda no ginásio do Sesc para uma sessão de dança circular, também chamada “dança dos povos”, cujo enfoque é promover o sentimento de união do grupo, sem importar a perfeição técnica. José Amaro de Brito, de 70 anos, que veio com o ônibus do Centro Esportivo Municipal Joerg Bruder, de Santo Amaro, não conhecia a dança circular, apesar de participar de um grupo de dança para terceira idade, mas não teve dificuldade em coordenar os passos. “Eu gostei muito de conhecer, é diferente dos outros tipos de dança. Valeu a pena”, disse.
Depois de uma hora de dança, ao som de músicas de ritmos variados como Boas-Vindas (Caetano Veloso), Jailhouse Rock (Elvis Presley), Nazaré (Almirzinho Gabriel), entre outras, os participantes foram convidados a conhecer a exposição Todo o poder ao povo! Emory Douglas e os Panteras Negras sobre esse movimento negro norte-americano. Em meio à exposição, alguns grupos participaram do Jogo do Privilégio, no terraço do Sesc. A facilitadora da exposição fazia perguntas a respeito de igualdade de oportunidades e as pessoas davam um passo à frente ou um atrás conforme a resposta. Foram feitas perguntas como “você pode ir a qualquer lugar do mundo e encontrar produtos para seu cabelo e sua pele?”, “na infância e na juventude, você alguma vez teve vergonha das suas roupas ou da casa de sua família?”, “você já se sentiu desvalorizado no trabalho ou recebeu salário menor por causa de seu gênero?”, entre outras.
DSC_0937Ao fim do jogo, a igualdade seria obtida se todos os participantes estivessem juntos na linha de chegada. No entanto, muitos ficaram para trás, como Alaíde Rodrigues Guimarães, de 58 anos e moradora de Santo Amaro. “Muitas pessoas se sentem envergonhadas de admitir que sofrem discriminação, ou estão tão acostumadas a isso, que nem percebem”, disse. “Vivemos em um sistema de castas sutil”. A fala de Alaíde abriu espaço para a discussão sobre discriminação e racismo.
Em seguida, os participantes se dirigiram a um auditório para assistir ao documentário O velho e a cidade, realizado pelo próprio Sesc Pinheiros, mostrando o dia de um idoso na cidade de São Paulo. Foram entrevistados idosos frequentadores do Sesc, que apresentaram os problemas mais comuns que enfrentam no dia a dia, como roubo (“minha mãe até pintou o cabelo de preto para não parecer tão idosa e parar de ser vítima de trombadinha”), trânsito (“motoristas não têm consideração com o idoso, nos chamam de velho, principalmente”) e queda (“o maior problema são as calçadas cheias de pedrinhas, o acabamento mal feito”). Entre os aspectos positivos, eles ressaltam a convivência no Sesc (“só não moro aqui porque tenho mulher em casa”). Dois dos participantes do documentário estiveram presentes na exibição e puderam conversar com os idosos no local.
DSC_0990“O Sesc tem trabalho com idosos há 50 anos e essa parceria com a SBGG-SP por meio do GERP Comunidade é essencial para trazer ainda mais idosos da comunidade para cá”, diz Alessandra Nascimento, assistente da gerência de estudos e programas sociais do Sesc SP (Gepros). “Os idosos só têm a ganhar com a união do Sesc e de uma entidade científica.”
Os idosos receberam um lanche gratuito na Comedoria do Sesc e, na sequência, dançaram forró ao som do Bando do Seu Pereira. “Oportunidades como a de hoje, de apresentar novos espaços aos idosos da comunidade inspiram projetos de vida e novas ideias que estão alinhados com a ideia de envelhecimento ativo”, explica Diego Félix Miguel, gestor do Centro de Convivência e Comunicação do CRI Norte.
DSC_1085O público aprovou as atividades. Olga Margarida, de 66 anos, ficou muito satisfeita com a programação escolhida. “Foi uma tarde em que aprendemos muito e nos divertimos”, diz a moradora de Guaianases e frequentadora do Clube Escola Juscelino Kubitschek, onde faz alongamento e ginástica.
Para a SBGG-SP, foi uma tarde de grande sucesso dada a repercussão do evento junto aos idosos. “O GERP Comunidade é uma oportunidade ímpar para os profissionais de saúde conhecerem as atividades que o Sesc oferece e podere m orientar seus pacientes a procurarem uma modalidade esportiva ou outra prática que promova a inclusão social e traga benefícios à qualidade de vida”, diz a geriatra Amanda Santoro, membro da Comissão de Eventos e Comunidade do GERP.17.
Texto: Renata Costa
Fotos: Lilian Liang