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O papel do geriatra no rastreio ao câncer de próstata

blue-ribbon-3778232_1920Chega ao fim mais um Novembro Azul, campanha anual criada na Austrália em 2003 e que tem como objetivo conscientizar a população a respeito do rastreio para o câncer de próstata. Como um dos resultados da campanha de 2019, o Inca (Instituto Nacional de Câncer), órgão ligado ao Ministério da Saúde, lançou um material que traz informações para ajudar na decisão em relação ao rastreamento do câncer de próstata. Com ilustrações simples e frases didáticas, a cartilha facilita a conversa entre médico e paciente sobre os prós e contras do rastreio por meio do exame de toque e do PSA. Para acessar a ferramenta, clique aqui.
Na prática clínica, a efetividade da campanha em relação à conscientização se mostra positiva, na opinião de Victor Abrão Zeppini, geriatra da Santa Casa de São Paulo e membro da diretoria da SBGG-SP. “A campanha realmente tem muita efetividade em fazer com que os homens se preocupem com o tema. Às vezes, como geriatra, tenho até que orientar que não há necessidade, em alguns casos, de se fazer o rastreio”, conta.
O que se preconiza atualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, é que o rastreio seja feito entre os 50 e 75 anos, mas pode ser um pouco mais cedo – a partir dos 45 anos – para quem é afrodescendente ou tem parentes de primeiro grau com câncer de próstata. “Depois dessa faixa etária, recomenda-se o rastreio apenas para idosos robustos e funcionais”, explica Zeppini. “Se o idoso com menos de 75 anos tiver grande limitação física, o rastreio não é indicado”, afirma. Ou seja, a indicação deve ser individualizada.
Isso porque os malefícios do rastreio podem ser, em alguns casos, maiores que os benefícios, já que muitas vezes os exames podem indicar falsos positivos. Além disso, a biópsia pode causar sangramentos e infecções ou mesmo detectar tumores que não precisariam ser tratados.
“Podemos dizer que a campanha certamente contribuiu para que um tabu seja derrubado. Há 20 anos era complicado falar em toque retal para o homem. Hoje, graças a essa conscientização, o câncer de próstata é um dos tumores com maior número de diagnósticos”, diz o geriatra.
O papel do geriatra
“O geriatra tem um papel muito importante na detecção precoce do câncer de próstata, porque às vezes ele é o primeiro a abordar isso na consulta com o paciente”, explica Zeppini. “O geriatra pode fazer o rastreio, solicitar o PSA e, se tiver algo a mais, encaminhar para o urologista. Por isso é ele quem fará, muitas vezes, essa avaliação sobre quem se beneficia ou não dos exames de rastreio”, diz.
É, portanto, um papel essencial, já que o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer entre homens no Brasil (atrás apenas do câncer de pulmão), com um número estimado de 14 mil óbitos anuais. Segundo estimativas, são 66,12 casos anuais novos a cada 100 mil homens – 68.220 novos casos em 2018, segundo estimativas do Inca.