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Prós e contras de viver com amigos na terceira idade

portrait-of-old-woman-in-kitchen-725x483Até há pouco tempo, para os idosos que não podiam mais morar sozinhos as alternativas eram apenas a casa dos filhos (e, consequentemente, do genro ou da nora) e os asilos. Com o envelhecimento da população, novas opções têm surgido, ainda que mais timidamente aqui no Brasil do que em outros países como os Estados Unidos e Portugal.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos que mora sozinho chega a 14% entre as pessoas com mais de 60 anos e a tendência é o aumento. “De 1992 a 2012, houve um crescimento de 215% na taxa de idosos morando sozinhos”, explica a terapeuta ocupacional Mariela Besse, Presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP.  “Esse fenômeno pode ser explicado pelo fato de que a população tem envelhecido com qualidade de vida e saúde, chegando à terceira idade com maior autonomia e independência”.
No entanto, após a perda do companheiro ou da companheira, ou mesmo por problemas financeiros, manter uma casa pode ser pesado para uma única pessoa. Pensando nisso, em 1995, a Secretaria de Assistência Social do município de Santos (SP) criou as repúblicas para idosos. Atualmente são três residências que atendem cerca de 30 idosos no total. Para conseguir uma das vagas, é preciso ter independência física, ou seja, não precisar de ajuda nos cuidados básicos, e uma renda fixa de até dois salários mínimos para pagamento de um aluguel simbólico, conta de água e luz. As tarefas da casa são distribuídas entre os moradores, no mesmo modelo de uma república de estudantes. Os moradores têm toda liberdade para sair e ter uma vida independente. O sucesso da iniciativa foi copiado e outras cidades, como Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR) já possuem moradias no mesmo modelo.
Nas repúblicas, os idosos não se conhecem previamente e tornam-se companheiros de vida por dividirem a mesma casa. Mas nada impede que amigos tenham a iniciativa de morar juntos para dividir as despesas e compartilhar o dia a dia.
A gerontologista Mariela Besse aponta os prós e os contras desse tipo de moradia compartilhada.
Prós

  • Dividir as despesas e as tarefas da casa.
  • Ter a companhia de amigos.
  • Idosos que moram sem a família tendem a manter por mais tempo sua capacidade funcional.
  • Não se sentir um “intruso” na casa dos filhos (e noras ou genros).

 
Contras

  • Falta de suporte social. “Pode vir dos amigos com quem está convivendo, caso não tenha a família, mas é essencial que haja apoio especialmente quando ele não conseguir mais fazer o gerenciamento da própria vida ou tiver necessidades específicas”, explica a especialista.
  • Falta de adequação da residência para evitar quedas. “É essencial que o idoso, independentemente de morar sozinho ou com amigos, tenha consciência de que é importante ter algumas coisas para melhorar a funcionalidade, como barra de apoio no banheiro e tapetes que não escorregam por exemplo”, diz Mariela. Quedas são muito comuns e esses cuidados podem evita-las.
  • Não ter alguém responsável para ajudar com medicações e os cuidados de saúde. Para evitar problemas desse tipo, o idoso sempre deve deixar informações de emergência visíveis a qualquer pessoa que entre em casa. A lista deve incluir qual o convênio médico, se houver, para quem ligar e de quais medicamentos faz uso.