(11) 3107-6119
sbgg-sp@sbgg-sp.com.br

Modelo para prevenção e controle de infecções pelo coronavírus nas ILPIs

O quinto webinar realizado pela SBGG-SP em parceria com a Danone teve como tema a prevenção e o controle de infecções por coronavírus nas ILPIs. Para falar sobre o tema esteve o geriatra João Toniolo Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para Idosos. A mediação foi de Tiago Alexandre, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP.
Toniolo Neto apresentou um modelo elaborado pela Frente que tem como objetivo contribuir para que gestores e profissionais de ILPIs possam ter controle em caso de suspeita ou confirmação de casos de Covid-19 entre seus residentes, facilitando a prevenção de novos casos. “Como sabemos, o perfil de idosos de ILPIs, muitos com fragilidade, comorbidades e alto grau de dependência é o mais sujeito às complicações da covid-19 e mais afetados pela questão da imunidade”, disse.
O geriatra ainda disse que a situação da Covid-19 nas ILPIs tende a durar por mais tempo do que no restante da sociedade. “O cenário nas ILPIs estrangeiras nos mostra isso. E a mortalidade tem sido alta”, explicou.
Segundo dados apresentados pelo especialista, atualizados em 3 de maio, no Canadá, as mortes em ILPI correspondiam a 62% do total do país. A porcentagem também foi alta na França (51%) e Alemanha (36%). Não foram apresentados dados dos Estados Unidos. “Isso mostra a dificuldade de se controlar a Covid-19 nas instituições mesmo em países onde o controle na sociedade foi mais bem-sucedido”, disse.
 
O modelo para evitar contaminações
A Frente Nacional de Fortalecimento às ILPIs se baseou em dois modelos – o Modelo Z, da Unifesp, utilizado com pacientes com herpes zoster, e o Modelo T, de isolamento para tuberculose, do Hospital Emílio Ribas.
“Nosso objetivo com o Modelo C é contribuir para diminuir a circulação do coronavírus nas instituições”, explicou. “Vemos que os funcionários gostam do modelo e se motivam, pois se sentem contemplados com um treinamento para sua proteção, de sua família e das pessoas de quem cuidam”, afirmou.
A condição primeira para aplicação do modelo é que a ILPI tenha pelo menos dois quartos vagos, o que, segundo o especialista, é comum entre as instituições. “Cerca de 90% das instituições que analisamos cumprem esse requisito”, disse o médico.
O modelo obedece à seguinte classificação de pacientes:
Classe 0 (zero): Ninguém com sintomas e sem contato com alguém doente
C + (mais): Atender a, ao menos, dois dos seguintes critérios – contato com caso de Covid-19 confirmado (por teste de PCR); sintomas respiratórios; síndrome gripal severa (nesse caso, se possível fazer teste para influenza); saturação menor que 93 em ar ambiente; queda no estado geral, com febre, tosse, perda de apetite.
CC: Idosos que vivem no mesmo quarto de um C+, mesmo que este não tenha tido diagnóstico confirmado.
C – (menos): Quadro gripal leve.
Os profissionais da ILPI devem analisar se o idoso com síndrome gripal tem necessidade de hospitalização. Se não for o caso, deve ser classificado como C+ ou C- .  Se for C+, ele deve ser mantido no quarto e a equipe deve tentar submetê-lo a um teste de Covid-19 pelo método PCR.
Os idosos que compartilham o quarto com um C+ são, consequentemente, classificados como CC e devem ser isolados em quarto vazio para observação. “Não adianta fazer o contrário e tirar o C+ do quarto. Porque aquele local já pode estar infectado”, explicou Toniolo Neto.
Se o paciente C+ receber diagnóstico negativo para Covid-19, tudo volta ao normal. O paciente CC em observação pode voltar a seu quarto de origem. Se for confirmada Covid-19 ou influenza no paciente C+, ele deve ser mantido em isolamento e em tratamento, com reavaliação para a necessidade ou não de hospitalização.
O geriatra lembrou que muitas ILPIs não querem mais aceitar idosos que voltem após uma hospitalização ou mesmo novos clientes. “Também há critério para esses casos. Vindo do domicílio, considerar o paciente como CC, caso não tenha sorologia e nem sintomas. Ele deve ficar no quarto isolado por alguns dias, apenas em observação. No caso de idosos vindo de outras ILPIs ou moradores de rua, duas semanas em quarentena como CC e, se possível, que seja feita sorologia”, disse.
No caso de alta hospitalar, caso o motivo de internação não tenha sido respiratório, classifica-se o paciente como CC e são recomendadas duas semanas de isolamento. Em alta pós-Covid-19, a ILPI deve solicitar o último PCR ou teste de sorologia. “Considerar um período de duas semanas de isolamento se não tiver exames ou se já estiver sem sintomas há menos de 5 dias”, orientou o especialista.
Acesse aqui para assistir ao webinar.