(11) 3107-6119
sbgg-sp@sbgg-sp.com.br

Colegas e ex-alunos prestam homenagens ao dr. Matheus Papaléo Netto

foto 1 aniversário Dr. Papaléo 2011 “Nos despedimos de nosso mentor, do nosso chefe, do nosso amigo e do nosso ‘pai’. Além de nos ensinar a arte da geriatria e a sabedoria da gerontologia, cuidou de nós como um pai cuida

 de um filho, que o faz crescer e o lança ao mundo. Hoje, somos muitos que, de norte a sul do país, vamos levar seu nome e seus ensinamentos para toda a vida. As saudades de hoje são resultado da felicidade de termos convivido com esse grande homem. Leve nossas lágrimas de eterna gratidão. Muito obrigada por fazer parte de nossas vidas, Dr. Matheus Papaléo Netto.” –  Alessandra Tieppo

“Gratidão é um sentimento tão maravilhoso de sentir, porque nos torna alegre, nos deixa leves, confiantes, entre tantas outras sensações tão difíceis de definir em palavras. Professor, mestre, pessoa… Sou imensamente grata a Deus por ter tido o privilégio do convívio com o  senhor, que, muito além de professor e mestre de disciplinas, foi o homem protetor, amigo, sábio, direcionador, incentivador de qualidades. Muitas saudades… Deus o acolha no seu lar. Aqui, nós manteremos vivos seus ensinamentos e alegria de viver.” – Livia Terezinha Devens

“Hoje, em 04 de abril de 2016, o Prof. Dr Matheus Papaléo Netto nos deixa… Certamente  uma perda  imensurável para Gerontologia e Geriatria de nosso país. Todos que tiveram a oportunidade de trabalhar e conviver com ele puderam se inspirar e admirá- lo por seu conhecimento, pela nobreza de seu ser  e por sua ética no dia a dia! Em pleno outono de 2016, ele nos deixa com mais um dos seus ensinamentos: de que a vida é pura transformação e que, com o legado que ele nos deixou agora, seus pupilos devem continuar a semear, num eterno ciclo de ensinar, compartilhar e transmitir às novas gerações seu conhecimento. Ao longo de sua vida, inspirou plateias durante suas aulas e mesmo no final, quando suas dificuldades físicas queriam limitá-lo, a altivez de seu espírito permitiu que ele fosse produtivo e deixasse sua última grande obra lançada em 2015, com o título A Quarta Idade. Nos deixa mais lições de coragem e persistência, nas quais devemos nos inspirar para aprender a viver com paixão e lutar pelos nossos ideais  em todos os dias de nossas vidas! Descanse em paz e, independente de onde estiver, verá que o senhor soube plantar boas sementes, que certamente continuarão a disseminar o fruto de seu trabalho.” – Christiane Mandolesi

comemoração aniversário HSPM 2014 - copa do mundo“O professor Matheus Papaléo deixará um legado para a gerontologia e geriatria no Brasil. Assim mesmo, nesta ordem, como gostava de enfatizar. Primeiro a gerontologia, depois a geriatria. Era de verdade, um gerontólogo antes de ser geriatra.

Não é fácil escrever sobre ele.

Foram muitos anos de convívio. 

Não era uma pessoa fácil. Era intenso. Não aceitava nada simplista ou mais ou menos. Exigente consigo mesmo e com os outros.

Os artigos ou livros que escrevia tinham que ser excelentes e primorosos. As aulas dele e as nossas tinham que ser espetaculares. Não aceitava menos que isso. Nem mesmo erros de ortografia não tolerava. Era incansável em nos ajudar, discutir casos, ajudando os residentes nas dissertações, trabalhos e aulas. Sempre disponível. Adorava a Clínica de Gerontologia e Geriatria do Hospital do Servidor Público Municipal, que fundou em 1991. 

Ir ao hospital, participar das visitas interdisciplinares e aulas dos residentes era o que o fazia feliz. Lá estava em  casa, era onde se sentia vivo, onde seus olhos brilhavam.

Mesmo já fragilizado, vez ou outra ia nos visitar, queria escrever outro livro. 

Quando passava algum tempo sem ir ao hospital, me ligava à noite perguntando quando teríamos outra reunião do livro. Era isso que o movia. Adorava o Ensino e Pesquisa, a parte acadêmica. Era seu habitat.

Era perfeccionista, com ele mesmo e com os outros. Nos moldou assim. Nos forjou assim. Sempre exigindo o melhor. Ou, como costumava dizer, não aceitava nada menos do que uma Sinfonia de Mozart. Como foram sua vida e sua contribuição para geriatria e gerontologia!

Até mais, Dr Papaléo!” – Maria Cristina Guapindaia

“Que do aprendizado adquirido fique o amor, o respeito, o saber conviver e respeitar o outro, o valorizar o ser humano e, por último e mais forte, a humildade – humildade que o fez, e continuará a fazer em nossa memória, exteriorizado e perpetuado em nossas ações. Seremos sempre “discípulos de Papaléo”e com a capacidade de semear e lançar ao longe o seu legado, que ficará tatuado em nossas vidas para sempre. Chefe, te amaremos sempre! Nosso exemplo! Fica nossa união!” – Yara Portela

“A Geriatria, a Medicina e a Cultura brasileiras estão mais pobres hoje. Perdemos o Professor Matheus Papaleo Neto, um dos mais importantes pioneiros da atenção aos idosos em nosso meio.

O Professor Papaleo formou discípulos que se se espalham por duas ou três gerações de geriatras e gerontólogos por todo o território brasileiro. Foi para muitos de nós um mestre, na acepção mais estrita do termo. De fato, o verdadeiro mestre é um modelo visível para seus discípulos. Muito mais do que o acúmulo de conhecimentos e habilidades, precisa ter também virtudes que configurem este modelo.
IMG_9406É difícil lembrar o Professor Papaleo sem que nos lembremos de suas virtudes. As virtudes têm esta peculiaridade: andam em grupos. Aquele que tem uma virtude acaba tendo concomitantemente muitas outras. Se tivesse que escolher uma mais notável, seria, com certeza a virtude da fortaleza, definida como “a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem”. Alguns podiam reclamar que o Papaléo era duro na negociação e que não tinha “jogo de cintura”. É verdade. Era o mais completo modelo que eu conheci do que alguns pensadores chamam “homem de uma só peça” e que, infelizmente, pouco se vê na atualidade. Aqueles que convivemos com ele fomos testemunhas de que avançava sem medir vantagens ou obstáculos na direção do que ele reconhecia como o bem e a verdade. Era de uma honestidade pessoal e intelectual marmórea e pagava o preço por sua coerência. Era um humanista e não escondia sua preocupação social com os mais pobres.
Esta posição chegou a causar problemas durante o regime militar quando, por exemplo, foi eleito presidente da Associação Médica Brasileira e não pôde tomar posse por intervenção externa. Sua própria carreira acadêmica sofreu dificuldades por suas posições, leal e claramente expostas e mantidas. Por outro lado, o defender seus ideais e os direitos de todos de uma maneira por vezes áspera, não excluía a presença de uma personalidade suscetível, apaixonado pela música de Vivaldi com certa facilidade de se emocionar até as lágrimas.
Cardiologista de sucesso, o Professor Papaleo passou a se interessar pela Geriatria e pela Gerontologia nos anos 70. Foi uma paixão que se manteve juvenil nestas mais de quatro décadas. A ele devemos muitos dos melhores textos de estudo, regularmente atualizados, a ele devemos a valorização essencial das equipes interprofissionais, o desenvolvimento da atenção domiciliária na rede municipal de São Paulo, a estruturação de uma das melhores residências brasileiras em Geriatria e a formação de profissionais em cursos de especialização no Hospital do Servidor Público Municipal.
Ainda há alguns meses, já bastante fragilizado, lançou um livro essencial sobre a “quarta idade” e brincava dizendo que, se desse tempo, ainda iria publicar sobre a “quinta” também.
Após 40 anos de geriatria eu achava que pouca coisa poderia me impressionar ou marcar. Hoje, mesmo esperando o fim de nosso mestre, confesso que senti o chão me fugir dos pés quando afinal soube que ele nos tinha deixado.
É difícil fugir do lugar comum de que se trata de uma lacuna irremediável. O consolo é que sua memória servirá de norte para o exercício digno e humanizado da atenção aos idosos. Creio que era o que ele queria afinal.” – Luiz Garcez Leme