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Como preparar sua casa para alguém com doença de Alzheimer

Family holding houseNão é segredo para ninguém que a maioria dos idosos quer viver em suas próprias casas. Alguns fazem até com que seus filhos prometam não colocá-los em uma casa de repouso.
Se esta é uma boa decisão é discutível, mas uma coisa é certa: nossas casas muitas vezes não atendem às necessidades de um corpo e uma mente que envelhecem. Já instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) oferecem segurança, atendimento personalizado, socialização e atividades enriquecedoras.
É difícil de replicar esse ambiente em uma residência, especialmente para uma família que tem que lidar com a doença de Alzheimer ou outra demência. A maioria das famílias subestima a ira que pode ser provocada pela doença de Alzheimer e não raro se veem sobrecarregadas, exaustas e sem saber como proceder.
Simplificar a casa, removendo opções “extra”, faz com que ela seja mais funcional ao eliminar o processo de decisão.
Desistir não é uma opção, mas as famílias precisam de paz de espírito e um ambiente descontraído em casa. Com o apoio certo e modificações no ambiente doméstico, é possível manter a promessa de não institucionalizar, ao mesmo tempo que se protege a essência do lar.
Há quatro áreas que devem ser avaliadas e ajustadas em conformidade:
Segurança
Em primeiro lugar, a casa deve ser segura. Um lar seguro oferece paz de espírito para o cuidador, e promove a independência e individualismo para a pessoa com demência.
A demência afeta eventualmente o julgamento de uma pessoa e a capacidade de reconhecer os perigos. O cuidador deve agir como um novo pai, que “olha através dos olhos de seu recém-nascido”, assim também deve o cuidador.
Muitas coisas podem ser feitas como medidas preventivas. Elas incluem remover fatores que possam causar tropeço ou que representem outros perigos, como como medicamentos, produtos químicos, armas ou a capacidade de criar fogo.
Observar de forma rotineira como a pessoa com demência interage com o ambiente interior e exterior é essencial para a identificação de eventuais novas ameaças assim que a ameaça pode ser removido ou alterado.
Funcionalidade
Para que uma casa seja funcional, ela deve permitir que a pessoa complete as tarefas que quiser sem ajuda. Isso pode incluir a adição de contraste à parede do banheiro para que o vaso seja mais facilmente reconhecido, identificar a gaveta onde as meias são guardadas ou eliminar múltiplas escolhas.
Por exemplo, ter vários conjuntos de copos pode confundir o indivíduo com demência, resultando em frustração. Simplificar a casa, removendo opções “extra” faz com que ela seja mais funcional, eliminando o processo de decisão.
Identificar os objetos com etiquetas é outra técnica que ajuda a alguns indivíduos com demência. Normalmente etiquetas com base em imagens funcionam melhor, já que a capacidade de compreender textos pode estar comprometida.
Uma imagem de meias na gaveta de meias, ou um retrato de um armário e uma pia fora do banheiro são exemplos de etiquetas que podem ajudar o indivíduo navegar pela casa.
Ambiente estimulante
Possivelmente, um dos aspectos mais valiosos de uma ILPI mas muitas vezes esquecido numa residência é a capacidade de fornecer socialização e atividades enriquecedoras como parte da rotina.
Como uma ILPI tem vários moradores e funcionários, a socialização geralmente acontece sem muito esforço. Já no ambiente doméstico, onde as famílias estão ocupadas com suas próprias vidas enquanto fazem o melhor para cuidar de seu ente querido, a situação é completamente oposta.
Embora possa haver tempo dedicado ao idoso, ele é muitas vezes apressado e com um membro da família desanimado. Ter visitas de familiares e amigos que não estão no auge da prestação de cuidados é importante para superar essa falta de socialização “amigável”.
Normalmente, este apoio adicional, juntamente com atividades que façam o indivíduo se sentir bem sucedido e com propósito, também ajuda a reduzir problemas de comportamento. Em alguns casos, isso envolve encorajar a idosa a ajudar a preparar o jantar para a família ou o idoso a consertar o portão quebrado.
Reduzir gatilhos comportamentais
Identificar e eliminar elementos na casa que podem causar confusão, agitação, raiva, ou até mesmo a depressão é vital para tornar a casa um ambiente descontraído.
Deve-se prestar atenção às sombras causadas por iluminação inadequada, muitas estampas nas paredes, tapetes ou nas capas de sofás ou mesmo fotos de família que possam causar confusão (quem é esse ?, eles podem se perguntar).
Os gatilhos podem ocorrer através de qualquer um dos sentidos, quer se trate de visão, olfato, audição, paladar, ou toque. Mesmo as emoções de outra pessoa podem afetar o humor de uma pessoa com demência.
Se essas quatro áreas forem trabalhadas, é possível que a pessoa com demência e sua família possam ter uma boa convivência por muitos anos. Há também profissionais que podem ajudar adaptar a casa para alguém com necessidades únicas. Mas às vezes é demais para uma família e uma ILPI pode ser melhor escolha para todos.
Com Next Avenue