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Coronavírus e o paciente idoso

Coronavirus 

Ana Laura Bersani

Geriatra, paliativista e diretora de comunicação da SBGG-SP

 

O novo vírus que vem ganhando manchetes no mundo todo tem como ponto de origem a cidade de Wuhan, que fica na província de Hubei, na região central da China. Apelidado pelos cientistas de 2019-nCoV, ele atinge o sistema respiratório e pertence à família dos coronavírus, um grupo que reúne desde agentes infecciosos que provocam sintomas de resfriado até outros com manifestações mais graves, como os causadores da SARS (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).
Em um artigo publicado em janeiro desse ano na revista médica The Lancet, uma equipe do Hospital Jin Yin-tan, de Wuhan, descreveu a evolução da doença em 41 pessoas tratadas nos hospitais da cidade. A maioria era formada por homens (73%), com idade média de 49 anos (66%); menos da metade (32%) tinha apresentado doença anterior, como hipertensão ou diabetes; 27 deles tinham se exposto a um mercado de frutos do mar de Wuhan, local apontado como provável origem do vírus. Quase todos (98%) tiveram febre e tosse (76%) e falta de ar (55%). Todos tiveram pneumonia, 13 passaram por unidades de terapia intensiva e seis (15%) morreram.
Ainda há muitas incertezas sobre o tempo de transmissão, incubação, potencial de letalidade e comportamento do vírus em idosos. Sabe-se, porém, que os idosos apresentam maior vulnerabilidade diante desses quadros infecciosos, além de maior gravidade, devido à menor reserva funcional e às alterações nos mecanismos de defesa próprios da imunossenescência.
 
Sintomas
O quadro clínico caracteriza-se por febre, tosse e falta de ar, mialgia e diarreia, sintomas semelhantes aos da gripe, dificultando o diagnóstico diferencial.
O diagnóstico do novo coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios (duas amostras) e para confirmar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecte o RNA viral.
Os critérios para internação, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são presença de pneumonia, sinais de sepse e insuficiência respiratória. Até o momento não há tratamento específico para esse vírus, nem vacina, e alguns fármacos para seu tratamento estão em análise. Os pacientes são tratados com medicamentos que aliviam os sintomas e com suporte de terapia intensiva (oxigênio e ventiladores), nos casos com falta de ar.
As medidas de prevenção são simples e eficazes. Entre elas incluem-se lavar frequentemente as mãos, cobrir o nariz e a boca antes de tossir/respirar e evitar o contato com pessoas que vieram de áreas com casos confirmados da doença. Além disso, manter o idoso hidratado e com seu calendário de vacinação atualizado são dicas fundamentais para proteger o idoso dessa e de outras infecções.
Em comparação com SARS e MERS, a taxa de mortalidade pela doença não é alta. Por outro lado, trata-se de um vírus com capacidade significativa de contágio, o que realmente exige medidas eficazes de prevenção. Por serem um grupo com maior risco de perda da funcionalidade e de fragilidade acelerada frente a uma infecção, a população 60+ merece especial atenção.
Embora o contexto mundial realmente seja alarmante, no Brasil não há casos confirmados até o momento e a informação de que não há circulação do novo coronavírus no Brasil tranquiliza a população em relação ao Carnaval, maior festa popular do país. O Ministério da Saúde destaca que não há necessidade de recomendações especiais para a época e nem para viagens em território nacional, a não ser as medidas de precaução padrão (veja no quadro). Caso o destino da viagem seja o exterior, além de evitar viagens à China, é preciso verificar junto à embaixada ou sites oficiais do país de destino quais as medidas recomendadas pelas autoridades de saúdes locais.
 
Medidas de precaução padrão:
– Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente antes de ingerir alimentos, após utilizar transportes públicos, visitar locais com grande fluxo de pessoas como mercados, shoppings, cinemas, teatros, aeroportos e rodoviárias. Se não tiver acesso a água e sabão, use álcool em gel a 70%;
– Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos e outros utensílios;
– Evitar tocar mucosas dos olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam higienizadas;
 
– Proteger a boca e o nariz com um lenço de papel (descarte logo após o uso) ou com o braço (e não as mãos) ao tossir ou espirrar.
 
 
Referências bibliográficas:

  1. www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus
  2. Huang, C et al. Clinical features of patients infected with 2019 novel coronavirus in Wuhan, China. Lancet (on line), 24 jan.2020.
  3. Zhu, N et al. A novel coronavirus from patients with pneumonia in china, 2019. New England Journal of Medicine (on line). 24 jan. 2020.