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Dor crônica no idoso e seus desafios

demente seniorin im altenheimQuando um idoso entra no consultório ou em um ambulatório de Geriatria, a tentação por parte do médico é de acolher todas as queixas do paciente para que ele tenha conforto e bem-estar o mais rápido possível. Bastante comuns são os relatos de dores crônicas – cerca de 50% dos idosos em atendimento ambulatorial têm essa queixa, incidência que pode chegar a 80% nos residentes de instituições de longa permanência, segundo a geriatra Maria Cristina Passarelli, da Faculdade de Medicina do ABC. No entanto, nem sempre é fácil, em uma primeira consulta, conseguir sanar o problema de uma só vez.
“É importante identificar a causa da dor, porque ela precisa ser tratada, de preferência. Mas no caso das dores osteoarticulares, que são as mais comuns, acaba sendo mais complicado tratar a causa, especialmente se elas não forem ligadas a inflamações”, afirma a médica.
No entanto, tratar a dor é essencial para a qualidade de vida do paciente, já que esse sintoma pode levar a complicações, ansiedade, depressão, insônia e outros fatores que pioram o bem-estar do idoso.
A geriatra recomenda que os colegas mais jovens, com menos experiência, não deixem de tentar analgésicos simples primeiro, como paracetamol e dipirona, evitando ao máximo o uso de anti-inflamatórios não hormonais. “Estes estão associados com piora da função renal que, no idoso, já não costuma ser 100% preservada, bem como hipertensão, sangramento digestivo e outras possíveis complicações”, diz.
Por outro lado, não é possível deixar o paciente com dor. Nesses casos em que a primeira tentativa com analgésicos simples tiver falhado, ela diz que o geriatra não deve temer o uso de opiáceos quando necessário, sendo a codeína mais usada em idosos, em associação com paracetamol e tramadol. “Sempre usando a menor dose possível e pelo tempo mais curto, sempre tendo cuidado de associar laxativos, que quase sempre são necessários, bem como antieméticos”, recomenda.
Maria Cristina também destaca que o médico deve associar outras terapêuticas com efeito positivo para redução da dor, como acupuntura, fisioterapia, hidroterapia, hidroginástica e outros. “Dependendo do local da dor também é recomendável fortalecer a musculatura adjacente, por exemplo, à lombar e ao joelho. O ideal são exercícios resistidos, mas muitos idosos não aceitam. Nesse caso, o pilates é uma boa opção e com boa aderência por parte deles”.
Para evitar a polifarmácia
A associação de vários analgésicos não é uma boa conduta, na opinião da médica. “Se um não funciona, é preciso trocar por outro ou, se for uma neuropatia periférica, os antidepressivos tricíclicos costumam responder bem, desde que em doses baixas para os idosos”, orienta a médica. Isso porque em doses elevadas pode levar a efeitos anticolinérgicos e a hipotensão ortostática.
Maria Cristina lembra ainda que toda consulta é uma oportunidade para que o geriatra reveja a relação de medicamentos prescritos e avaliar se há a possibilidade de suspender algum deles. “O geriatra não deve temer desprescrever se achar necessário, mesmo que o paciente tome o medicamento há muitos anos”.