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Envelhecimento em retratos

Se há algo certo nessa vida é que todos envelhecem. Mas como cada um reage com a idade se aproximando e as mudanças do corpo físico? Com os projetos @Meus velhos e “SP Idosos” fica mais fácil lidar com esses questionamentos e colocar em questão, além da aparência, histórias de vida.
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O Projeto @MeusVelhos, idealizado e produzido pelo publicitário Bruno Varandas, reúne registros de idosos e pequenos textos na rede social Instagram. Fascinado pela poesia das feições e dos olhares das pessoas mais velhas, o projeto começou com a curiosidade em conhecer a história de cada um. “De forma completamente despretensiosa, comecei a fotografá-los para, de alguma forma, tê-los guardados comigo”, conta Varandas.
Com mais de 300 fotos reunidas depois de três anos de trabalho, o publicitário teve a ideia de distribuir essas imagens às pessoas mais próximas e pedir que elas enviassem textos inspirados nas fotografias. Hoje, o projeto @MeusVelhos já conta com a colaboração de mais de 100 pessoas e possui mais de 5 mil seguidores no Instagram. “Para a minha felicidade, até alguns músicos já participaram, como o as cantoras Tiê, Alice Caymmi, Juçara Marçal e o músico e apresentador Daniel Daibem”, diz Varandas.
O SP Idosos também tefoto2m uma proposta relacionada à fotografia. O projeto tem o objetivo de discutir preconceitos em relação à velhice, postando fotos e pequenas biografias. Lançado pela psicóloga Raquel Ribeiro, o tema sempre esteve ligado a ela. “Esse projeto tem a ver com minha formação. Eu sou psicóloga de idosos e trabalho há 10 anos com esse público. O projeto foi inspirado na página SP Invisível, que por sua vez inspirou-se no People of New York. Somos uma derivação”, explica.
A ideia do @MeusVelhos é divulgar fotos com textos colaborativos, enquanto o SP Idosos apresenta a proposta de mostrar também parte da história da pessoa, contada por ela mesma. Por enquanto, os projetos podem ser acompanhados pelo Instagram e pelo Facebook, respectivamente, mas ambos têm interesse em fazer uma exposição.
Com o intuito de mostrar que as pessoas idosas são ativas e podem estar inseridas socialmente, seja produzindo, dançando ou trabalhando, os dois projetos procuram “cultivar entre as pessoas valores fundamentais da vida, como respeito, reconhecimento e gratidão aos nossos idosos”, como Varandas define seu objetivo.
Tais projetos permitem às pessoas lidar melhor com sua aparência atual e as mudanças decorrentes da idade, por meio da contextualização da velhice além da aparência. “Ter sentido de vida é fundamental para o envelhecimento bem sucedido, independente de ter rugas ou não”, diz Valmari Aranha, psicóloga do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.foto3
“Projetos como estes são imprescindíveis para que possamos nos identificar com pessoas reais, com mudanças reais e possibilidades de satisfação. Ver alguém como eu fazendo algo diferente, de um jeito mais adequado do que tenho feito, é muito mais produtivo do que ver uma situação ideal, fíctícia, que nunca conseguirei atingir, o que gera impotência e frustração. Ver pessoas contando suas histórias de vida, suas dificuldades e superações faz com que outras pessoas se identifiquem, se motivem e transformem sua vida para melhor”, conclui Valmari.
Por Fernanda Figueiredo