(11) 3107-6119
sbgg-sp@sbgg-sp.com.br

Fragilidade e sarcopenia

sarcopeniaEm sua exposição sobre fragilidade e sarcopenia, na I Conferência Aché e Longevidade, a geriatra e paliativista Ana Beatriz Di Tommaso, vice-presidente da SBGG-SP, trouxe uma atualização sobre o tema, reunindo estudos a partir dos artigos nacionais e internacionais mais recentes.
A médica partiu da definição de fragilidade como sendo um estado de declínio e vulnerabilidade relacionado à idade, caracterizado por diminuição das reservas funcionais. Ela ressaltou que a vulnerabilidade é um fator que contribui para maior incidência de eventos adversos, quedas, institucionalização precoce e até óbito.
 
Linha do tempo dos estudos sobre fragilidade

  • 1990 – Primeiros estudos já consideravam que o indivíduo frágil era vulnerável aos desafios provenientes do ambiente
  • 1999 – Rockwood publica sua ferramenta de rastreio denominada FRAIL – do inglês fadiga, menor resistência física, dificuldade de deambular, perda de peso corporal. (Rockwood K et al. A brief clinical instrument to classify frailty in elderly people. Lancet 1999 Jan 16;353(9148):205-6
  • 2001 –Linda Fried da Johns Hopkins University publica os critérios para rastreio da fragilidade. (FRIED, L. P.et al. Frailty in older adults: Evidence for a phenotype. J Gerontol, v. 56A, n. 3, p. M146-156, Mar. 2001).
  • 2006 – Fried e Ferrucci publicam diversos estudos sobre as reações adversas da fragilidade: fraqueza e lentificação de marcha, perda de peso, sentimento de fadiga, falta de exercício físico.
  • Atualmente – Estudos sugerem que a síndrome da fragilidade não só compromete os domínios físicos, mas também os cognitivos e sociais.

 
Detectando no consultório médico
Embora os aspectos cognitivos também devam ser considerados, há diversas escalas para medir a fragilidade que podem ser facilmente aplicadas em consultório. Dentre elas, duas sugestões:

  • Fried: considera perda de peso (cerca de 5% em um ano); relato de sensação de exaustão (escala de depressão do Center for Epidemiological Studies – CES-D); medida de atividade física (Minnesota Leisure Time Activities Questionnaire); força de preensão palmar; velocidade de marcha.
  • SOF Index – Study of Osteoporosis Fractures: considera a perda de peso em torno de 5% ou mais no último ano; dificuldade de sentar e levantar de uma cadeira por cinco vezes sem as mãos e checar se o idoso se sente com energia. Dois itens já indicam o risco. (http://sof.ucsf.edu/interface/)

 
Sarcopenia
“Sarcopenia e fragilidade são conceitos diferentes, porém, por engano, às vezes são usados como sinônimos na prática médica”, disse a geriatra, que apresentou as seguintes definições:

  • Pré-sarcopenia: quando há perda de músculo, algo comum da senescência
  • Sarcopenia: quando a perda de músculo provoca disfunção (prejudica força ou performance)

“A fragilidade existe num espectro maior, que abrange outros aspectos que não apenas a sarcopenia”, explicou. Um indivíduo frágil pode ser sarcopênico, mas o contrário nem sempre é verdade, já que a fragilidade também tem outros componentes que podem ser marcados fisiologicamente: queda nos esteroides sexuais, baixo GH e IGF-1, baixo SDHEA, aumento de cortisol, baixa 25 OH e vitamina D. Por outro lado, há aumento de leucócitos, de fatores pró-inflamatórios. “Além disso, os idosos frágeis reagem de maneira menos eficiente à vacinação contra a gripe, por exemplo”.
O importante é que ao menor sinal de perda de peso, o geriatra ou clínico se preocupe em investigar a fragilidade ou pré-fragilidade do indivíduo. Em caso negativo, é preciso também ficar atento se a perda de peso não é um sintoma de disfagia e encaminhar o paciente a uma avaliação fonoaudiológica antes que sua nutrição seja comprometida.