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Para entender o envelhecimento em São Paulo

A capital paulista quer, até o fim de 2020, obter o Selo Pleno do Programa São Paulo Amigo do Idoso, certificação dada pelo governo estadual. Para criar políticas públicas específicas para essa população, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania decidiu consolidar em um documento os dados sobre os idosos no município, de acordo com os distritos. (Acesso à íntegra do documento aqui).
“Essa é uma demanda antiga, da própria população idosa militante. Os participantes dos Conselhos de Idosos dos distritos nos pediam esses dados, e nós fornecíamos pontualmente. Agora decidimos consolidá-los para toda a cidade”, explica Sandra Regina Gomes, coordenadora de Políticas para a Pessoa Idosa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. “Política pública se constrói assim – temos que ver e entender a realidade local para focar no território, identificando suas demandas específicas e dando visibilidade aos idosos”, complementa.
Os dados são importantes para a implantação de políticas em diversos setores – saúde, moradia, direitos humanos – bem como uma fonte estatística para a academia, a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Projeções Populacionais da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM da Secretaria Municipal da Saúde. (Saiba mais sobre os indicadores aqui).
“É inegável, ao observar os números, que a desigualdade social perpassa todos os setores”, diz Renato Souza Cintra, sociólogo e mestre em demografia, funcionário da Secretaria e responsável técnico pela publicação. “Um adulto que hoje é idoso, mas que teve uma vida com pouca educação, baixa renda, pouco lazer e moradia inadequada, por exemplo, acaba tendo como consequências menor expectativa de vida, pouca saúde e baixo acesso aos bens indispensáveis de consumo”, explica. Outro exemplo citado por Cintra, que indica como a condição social é fator importante, é a proporção de idosos com deficiência visual. Enquanto a média dos idosos da cidade é de 8,9 %, essa porcentagem chega a 16,7% no Jardim Helena, distrito com a maior taxa.
Outro dado importante a ser bem compreendido é a proporção de idosos com 75 anos ou mais na população da cidade, que apresentou queda de 28,2% em 2010 para 24,6% em 2019. “No entanto, isso não aconteceu em números absolutos, ao contrário. A explicação é que muita gente passou dos 60 anos, aumentando a população idosa, mas mudando a proporção. Em resumo, pode-se dizer que isso é sinal do rápido envelhecimento que tem ocorrido no município”, afirma o especialista.
Segundo Sandra, a publicação teve efeito imediato nas demais secretarias e também na população. “Isso é muito importante, porque precisamos falar sobre o envelhecimento da cidade”, diz.
Os próximos passos – além da construção de políticas públicas a partir dos dados – é que uma nova rodada dos indicadores seja compilada nos próximos anos, a partir dos resultados do próximo censo do IBGE 2020, cujos resultados devem ser divulgados a partir de 2022, segundo Souza.