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Delicado e sensível, “Para Sempre Alice” mostra luta contra Alzheimer

Aos 50 anos, a professora de linguística Alice Howland vive um ótimo momento. Seu marido John está satisfeito em sua profissão, sua filha Anna vive um casamento feliz com Tom. Charlie, o único menino da família, é um ótimo filho. A única coisa que a preocupa é o futuro da filha Lydia, que não entrou na faculdade e trabalha como atriz e não compareceu à sua comemoração de aniversário.
É com essa cena, tão cotidiana e ao mesmo tempo cheia de significado, que começa o filme “Para Sempre Alice”, que estreou em circuito nacional em março. Inspirado no livro homônimo de Lisa Genova, o filme é baseado em fatos reais e conta a história de Alice depois de seu diagnóstico de Alzheimer, aos 50 anos.
Dona de uma inteligência rara e personalidade forte, a protagonista suspeita que há algo errado quando, durante uma palestra, esquece a palavra “léxico”. Sua suspeita se transforma em preocupação quando não se lembra como voltar para casa depois de uma corrida matinal. Alice é diagnosticada com Alzheimer familiar, um tipo raro da doença.
Seu desafio diário então passa a ser um só: não se perder, nos lugares e em si mesma. “Nosso comportamento estranho e fala confusa mudam a percepção que os outros têm de nós e a nossa própria percepção”, diz Alice, numa palestra sobre a doença.
A narrativa de “Para Sempre Alice” se constrói sobre dilemas: quem ela é, além de suas memórias? Ela pode usar a doença para que os filhos cumpram seus desejos? Ela pode exigir que o marido se afaste do trabalho para cuidar dela? Quando abrir mão do emprego? O que fazer quando você duvida de que sempre será você mesmo?
O enredo se desenvolve com sensibilidade e delicadeza e nos aproxima de um universo que à primeira vista parece assustador e desprovido de esperança. A relação de Alice com sua família, trabalho e conhecidos mostra as emoções e os conflitos por que passa um paciente de Alzheimer – dolorosos, sim, mas muitas vezes acompanhados de compaixão e ternura.
O grande mérito do filme é mostrar as percepções dos sintomas a partir de quem tem Alzheimer, tornando um enredo muito interessante para ajudar na forma de entender a doença – uma condição que transforma o paciente, mas ensina cada um viver o presente, mesmo diante de perdas irreparáveis.
Por Fernanda Figueiredo