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Primeiro Consenso Internacional de Sarcopenia

muscularApenas dois brasileiros, representando a América Latina, assinam com outros cerca de 40 pesquisadores de todo o mundo o primeiro Consenso Internacional de Sarcopenia, lançado neste semestre. O geriatra e psiquiatra Ivan Aprahamian, da Faculdade de Medicina de Jundiaí e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e a nutricionista Sandra Maria Lima Ribeiro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, também da USP, são membros ativos da International Conference on Sarcopenia and Frailty Research (ICSFR) e foram convidados pelo mentor do Consenso, o pesquisador John Morley, um dos ícones mundiais dos estudos de sarcopenia e fragilidade, diretor da Divisão de Geriatria da Escola de Medicina da Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos.
“Este é não só o primeiro consenso internacional, como também o primeiro voltado para a prática clínica sobre sarcopenia”, destaca Aprahamian. Segundo ele, este é o principal diferencial do documento em relação aos já existentes nos Estados Unidos, Europa e Ásia, que têm como foco a pesquisa na área. “É um grande avanço para a melhora da vida do paciente e do profissional da área da saúde, pois traz orientações sobre como identificar, diagnosticar e tratar algo ainda novo como a sarcopenia, que só foi classificada como doença, com o CID M62.84, pela Organização Mundial da Saúde em 2016”, completa.
Os pesquisadores se debruçaram sobre os consensos já existentes e também realizaram uma grande revisão de toda a literatura sobre sarcopenia. O método utilizado para construção foi o Delphi, em que um questionário é respondido por cada um dos especialistas, atribuindo gradações às evidências científicas existentes para cada questão. Depois, houve a compilação das respostas e revisão até a obtenção de consenso.
“O diferencial foi que a elaboração desse guideline incluiu uma etapa em que vários profissionais envolvidos com a prática clínica puderam emitir suas opiniões, somando esses relatos aos referenciais teóricos”, conta Sandra. “Outro aspecto importante é o fato de podermos chamar a atenção para o tema em países em desenvolvimento, que enfrentam muito mais dificuldades pela falta de pesquisas regionais, de recursos para rastreio, avaliação e diagnóstico na prática clínica”, explica.
A recomendação do consenso é que, na prática clínica, seja utilizada a triagem rápida, por meio de avaliação da velocidade de marcha ou o questionário SARC-F. Como tratamento, deve ser prescrita atividade física baseada em resistência e, condicionalmente, suplementação de proteína. Não estão recomendadas a suplementação de vitamina D, tampouco a prescrição de hormônio anabólico.
Também foi possível, conforme explicam os pesquisadores, ainda que de forma sucinta, abordar aspectos socioeconômicos relacionados ao tema, como os dos países, a exemplo do Brasil, com baixa implementação de políticas públicas de promoção da saúde e ações voltadas a educação nutricional e prática de atividades físicas.
“Como intervenção, citamos que deve haver implementação efetiva das políticas públicas em relação à facilitação de espaços e capacitação das equipes de saúde para haver resultado. No consenso, destacamos que as intervenções feitas em grupo, especialmente aquelas relacionadas a atividade física, são mais efetivas do que as prescrições individuais”, diz a pesquisadora.
O International Clinical Practice Guidelines for Sarcopenia pode ser acessado aqui