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Quando é hora de parar de dirigir?

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O carro não é mantido mais dentro da faixa, a velocidade aumenta ou diminui demasiadamente, fazer baliza começa a ser um problema e pequenos amassados na lataria aparecem com maior frequência. A família começa a perceber primeiro os sinais e, com a intenção de proteger o idoso, tenta convencê-lo a parar de dirigir. Será que é o momento?
O geriatra Alexandre Leopold Busse, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) pede cautela. “O filho não pode tomar a decisão, passando por cima da vontade de um idoso que tem autonomia, ainda que a intenção seja protegê-lo”, afirma. “A decisão deve ser tomada em conjunto”.
Muitas vezes é difícil que o idoso perceba e reconheça que está com dificuldades. Nesse momento, o geriatra ou o médico da família pode ajudar na conversa. “Percebemos que quando o médico faz um relatório por escrito sobre isso e entrega ao idoso e à família, o paciente tende a acatar de maneira mais positiva”, diz Busse.
Assim, por melhores que sejam as intenções dos familiares, só um especialista poderá fazer uma avaliação mais assertiva a respeito das possíveis dificuldades do idoso e que podem prejudicá-lo ou colocá-lo em risco ao volante.
Alguns dos aspectos que podem ser limitantes para a direção:

  • Déficit visual progressivo importante – Em especial problemas como glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética, para os quais não existe cura, apenas prevenção e controle. Uma vez que a perda de visão seja significativa, é melhor parar de dirigir. Já casos como catarata não são limitantes, pois a cirurgia pode restaurar a acuidade visual.
  • Incapacidade física – Falta de força e de rapidez de movimento dos braços, assim como perda de força nos membros inferiores, podem ser impeditivos à condução. Condições como artrose de joelhos, por exemplo, podem diminuir a força e causar dor intensa, inviabilizando os movimentos necessários para dirigir um automóvel.
  • Medicamentos – Alguns sedativos, ansiolíticos, antidepressivos e anticonvulsivantes podem afetar os reflexos. Na época em que o paciente começa a tomar as medicações ou no reajuste de doses é aconselhável parar de dirigir, pois o organismo leva cerca de duas a três semanas para se adaptar. A recomendação vale para qualquer pessoa que faça uso desses medicamentos, não apenas idosos.
  • Demência – O quadro leve não implica em contraindicação para dirigir, no entanto, é preciso uma avaliação periódica do médico e dos familiares do idoso. Alguns testes cognitivos realizados periodicamente no consultório podem ajudar a diagnosticar se o paciente consegue manter o raciocínio lógico, o planejamento e a atenção concentrada. Quadros de demência leve para moderada e mais graves já não permitem mais que a direção seja feita com segurança.
  • Reflexos – A velocidade de reação diminui com a idade, uma questão relacionada à parte neurológica e resposta muscular. Uma avaliação periódica também pode ajudar a identificar a hora certa de parar.

 
Depois da avaliação médica
Se o médico concordar que realmente é hora de o idoso largar o volante, a família tem que ter o cuidado de não restringir as atividades dele. “Ele não pode deixar de dirigir e ficar em casa sem manter a vida social que tinha antes”, diz o geriatra. As opções de táxi, carona ou motorista particular devem ser avaliadas pelos familiares a fim de que o idoso não se isole e desenvolva um quadro de depressão – bastante comum em situações assim.
Busse conta que nos Estados Unidos já há serviços em terapia ocupacional e fisioterapia que oferecem programas de reabilitação para o idoso sem demência continuar a dirigir. “O envelhecimento da população brasileira ainda é recente, mas devemos ver nos próximos anos surgirem especialidades desse tipo”, diz o médico. “Assim como os órgãos de trânsito deverão também adaptar as avaliações para motoristas, tornando-as mais frequentes após certa idade”.