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Sinais de infecção em idosos

Os geriatras e os profissionais que lidam rotineiramente com idosos já sabem que nem sempre confusão mental ou delirium são sinais de uma demência repentina. No entanto, com ainda poucos especialistas na área no Brasil, é preciso que todo profissional da área da saúde que atenda idosos na atenção primária esteja alerta que esse pode ser sintoma de uma infecção silenciosa.
“Os sinais de confusão mental ou delirium em uma infecção acometem especialmente idosos já com baixa reserva cognitiva, normalmente com doenças de base associadas e/ ou de idade muito avançada”, explica a geriatra Ana Beatriz di Tommaso, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Esse tipo de sintoma de infecção depende muito da saúde física e cognitiva do idoso.”
Uma revisão bibliográfica publicada no periódico BMJ, em 2007, levantou artigos publicados entre 1996 e 2006 nas bases Medline e Cochrane Library sobre delirium. As doenças infecciosas, principalmente pneumonias e infecções do trato urinário, foram apontadas como os principais fatores precipitantes dessa alteração mental. Outro estudo aponta que o delirium foi a única manifestação da infecção em pacientes idosos.
Um estudo realizado no Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo com 21 idosos admitidos para cirurgia de fratura do quadril mostrou que 51% dos pacientes tiveram delirium, dos quais 28,5% tinham infecção – trato urinário, pneumonia e no local da cirurgia.
Infecções do trato urinário
Para a maioria das pessoas, esse tipo de infecção tem como sintomas maior frequência ou urgência urinária, queimação na uretra, urina de cor alterada ou com odor, ou ainda com sangue. Nos idosos, no entanto, muitas vezes esses sintomas estão ausentes. O que surge são fadiga vaga, incontinência inexplicável e mudanças no comportamento, como confusão mental, agitação ou sonolência, conforme indicam diversos estudos, como os de Han et al e McKinnon et al.
O desafio pode parecer ainda maior quando o idoso já está acometido por alguma demência. No entanto, a geriatra da Unifesp diz que é preciso observar se o paciente está diferente do padrão habitual. “Pode ser uma diminuição do apetite, da qualidade do sono, mais irritado, prostrado, sonolento. Até mesmo engasgos frequentes podem ser sinais de infecção”, afirma. Por isso é importante conhecer o paciente e seu comprometimento cognitivo para saber seu padrão basal.