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Vacina para febre amarela: o idoso deve ou não tomar?

Drugs for yellow fever treatmentA imprensa noticia o aumento de casos de febre amarela em Minas Gerais e, inevitavelmente, começam a surgir dúvidas sobre a necessidade da vacinação. Em especial no caso dos idosos, pesa a avaliação quanto aos benefícios da vacina e o risco de possíveis efeitos colaterais.
A recomendação é que a vacinação seja realizada apenas para a população residente nas áreas de risco – o que não inclui São Paulo – e em pessoas que viajarem para esses locais dentro e fora do Brasil, já que a eficácia da vacina é acima de 95%. “O risco/benefício deve ser sempre ponderado”, avalia a geriatra Maisa Kairalla, presidente da SBGG-SP.
Por ser constituída de vírus vivo atenuado, a vacina apresenta mais chances de provocar efeitos colaterais. Em especial no idoso, cuja imunidade costuma ser menor – condição que pode ser ainda agravada no caso da presença de outras doenças –, o risco de reações adversas é maior.
A médica explica que os eventos adversos comuns ocorrem em 2% a 5% dos vacinados entre cinco e 10 dias após vacinação. Geralmente são leves: dor de cabeça, dor muscular e febre. Já reações alérgicas, também leves, são ocasionais e relacionadas com reações à proteína do ovo, substância utilizada na vacina.
Por outro lado, as alergias graves e que podem levar a complicações, as chamadas reações anafiláticas, são raras e acontecem em uma relação de um caso para 350 mil doses aplicadas, afetando principalmente pessoas com alergia intensa a ovo.
“Os eventos adversos graves, como acometimento do sistema nervoso ou disseminação do vírus da vacina pelo organismo, felizmente são raros: acontecem em uma entre 250 mil e um milhão de pessoas, mas parecem ocorrer com frequência maior nos vacinados acima de 60 anos, que recebem a dose pela primeira vez”, diz a geriatra.
Portanto, o idoso deve ser vacinado nas mesmas condições do restante da população, ou seja, em caso de viagem ou moradia em locais de risco, tendo avaliada sua condição pelo médico que o acompanha. A vacina é injetável, subcutânea, deve ser tomada com antecedência de 10 dias à exposição ao risco e protege por 10 anos. Passado esse prazo, deve ser repetida.
 
A febre amarela 
O vírus da febre amarela é transmitido pela picada de um mosquito infectado, do gênero Aedes, o mesmo que transmite a dengue.
Existem várias formas de manifestação da doença, desde formas sem sintomas ou com poucos sintomas, similares a um quadro gripal. Já as formas mais graves da febre amarela podem levar a óbito.
Os sintomas clássicos da condição incluem febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, prostração, náuseas e vômitos. Após três a quatro dias, há remissão da febre e melhora dos sintomas, evoluindo para cura em cerca de 85% dos casos.
Já nas formas graves (cerca de 15% dos casos), após os sintomas clássicos, tem início uma segunda fase com icterícia, instalação de insuficiência hepática e renal, podendo ocorrer acometimento neurológico e coma. A mortalidade é elevada para os que evoluem para essa segunda fase, chegando a até 50%.